Aula 6 O eurocentrismo na história

TEMA: O eurocentrismo na história
Nossa aula foi:
7ºA, sexta-feira, 30 de janeiro de 2026.
7ºB, Clique ou toque aqui para inserir uma data..
7ºC, Clique ou toque aqui para inserir uma data..EIXO TEMÁTICO
O mundo moderno e a conexão entre sociedades africanas, americanas e europeias.
 
HABILIDADES
(GO-EF07HI01-A) Compreender que a constituição da modernidade não ocorreu de forma abrupta, mas foi um processo de múltiplas temporalidades e acontecimentos simultâneos em lugares diferentes, como: crise de produção, fome, epidemias, guerras, fartura, progresso e invenções.
Conceituar a Modernidade no contexto da formação dos estados nacionais, da expansão marítima e da colonização.
 
OBJETIVOS DE CONHECIMENTOS
A construção da ideia de modernidade e seus impactos na concepção de História
A ideia de “Novo Mundo” ante o Mundo Antigo: permanências e rupturas de saberes e práticas na emergência do mundo moderno:
 
CONTEÚDO
Desconstrução do conceito de modernidade
 
METODOLOGIA:
Os objetivos da aula são:
Compreender o conceito de eurocentrismo e relacionar o termo aos processos de colonização, construção das Américas e capitalismo moderno, identificando implicações na narrativa histórica escolar.
Analisar exemplos de eurocentrismo no Brasil (ideia de “nação”, símbolos e referências culturais) e discutir permanências no currículo, incluindo a baixa presença de História da África.
Reconhecer relações entre eurocentrismo, racismo e etnocentrismo, problematizando como visões “centradas” geram exclusões e desigualdades.
 
Para tanto, nos serviremos da seguinte estrutura de aula:
Realizar sondagem inicial com perguntas disparadoras no quadro (ex.: “O que significa dizer que a História foi contada por uma visão europeia?”; “O que muda quando trocamos ‘descobrimento’ por ‘invasão’?”).
 
Organizar “rotação por estações” (metodologia ativa) com 4 grupos, entregando o texto-base e cartões de tarefa; circular entre os grupos para mediar leitura, destacar trechos-chave e incentivar justificativas com evidências do texto.
Conduzir as estações (10–12 min cada), solicitando produzir registro coletivo em folha A3:
Estação 1: Identificar no texto 2 expressões/ideias que revelem “centralidade europeia” e reescrever com linguagem mais crítica (ex.: “descobriram” → “invadiram/chegaram e impuseram poder”).
A ideia de que os europeus seriam o “padrão” para nomear, explicar e medir o mundo (ex.: “descobriram”, “chegaram primeiro”, “classificaram o mundo conforme sua própria medida”).
 
A naturalização da Europa como “centro” do conhecimento e das representações (ex.: currículo “majoritariamente europeu” e mapas “oficiais” produzidos na Europa com a Europa no centro).
 
Estação 2: Elaborar um “mapa de conceitos” conectando eurocentrismo–racismo–etnocentrismo com setas e frases curtas.
Etnocentrismo → “considerar a própria cultura superior; usar como centro” → (definição).
 
Eurocentrismo → “ter valores europeus como centro e verdade” → (definição no texto).
 
Eurocentrismo → Etnocentrismo: “é um etnocentrismo” (relação de inclusão).
 
Eurocentrismo → Racismo: “relacionar-se à colonização e ao racismo; produzir hierarquias” (relação histórica explicada no texto).
 
Racismo → “classificar e hierarquizar ‘raças’ com brancos como superiores” (ideia citada no texto).
 
Estação 3: Localizar no texto um argumento sobre currículo e História da África e registrar uma proposta de como a escola pode equilibrar narrativas (ligar à Lei 10.639/2003 citada no texto).
Localizar no texto:
Registrar a ideia central: “a história que aprendemos é majoritariamente europeia, e pouco africana”, mostrando que o “centro de poder” segue sendo a Europa no currículo.
 
Registrar a justificativa do texto: o Brasil tem grande população negra e foi formado com contribuição de culturas africanas, mas isso aparece pouco nos conteúdos escolares.
 
Registrar a ligação com a lei: a Lei 10.639/2003 surge para corrigir o problema ao tornar obrigatório o ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana.
 
“Propostas”:
Propor inserir (ou ampliar) sequências de estudo sobre História da África e dos africanos, cultura negra brasileira, luta dos negros no Brasil e contribuição do povo negro na formação da sociedade, como previsto na lei.
 
Propor distribuir o tema ao longo do ano e em mais de uma unidade, evitando trabalhar África apenas como “escravidão”, e relacionar os conteúdos aos temas do currículo de História do 7º ano (colonização, modernidade, racismo, resistências).
 
Propor ampliar fontes e narrativas: usar textos, imagens, mapas, biografias e produções culturais afro-brasileiras/africanas para comparar “quem conta a História” e reduzir o olhar único eurocêntrico.
 
Estação 4: Analisar o trecho “O eurocentrismo nos mapas” e criar uma legenda explicativa (2–3 frases) sobre por que o mapa-múndi “oficial” não é neutro.
Mencionar que a Terra é esférica e não existe “em cima/embaixo” absoluto; portanto, diferentes orientações do mapa seriam possíveis.
 
Explicar que o mapa “oficial” é arbitrário porque padroniza a Europa no centro, resultado de quem produziu e popularizou esses mapas (Europa).
 
Indicar o efeito dessa escolha: naturalizar a centralidade europeia e influenciar como as pessoas percebem o mundo e as relações de poder.
 
Material didático:
Texto: Seduc GO, NetEscola 7º ano, Primeiro Bimestre, Aula 2.
 
🔖ATIVIDADE AVALIATIVA🎒
Aplicar avaliação formativa durante a rotação, utilizando lista de verificação: ler e localizar informações no texto; argumentar com base em trechos; trabalhar colaborativamente; usar conceitos (eurocentrismo/etnocentrismo/racismo) com sentido adequado.
Propor “bilhete de saída” individual (5–7 linhas): definir eurocentrismo com palavras próprias e citar 1 exemplo do texto e 1 consequência social/educacional.
 
🔖ATIVIDADE AVALIATIVA FLEXIBILIZADA🎒
Garantir flexibilização com apoios e mediação, mantendo o acesso ao currículo sem empobrecimento do conteúdo, oferecendo alternativas de expressão (oral, esquemas, colagens) e acompanhamento mais próximo.
 
Disponibilizar versão do bilhete de saída com comandos curtos e escolhas guiadas (ex.: completar frases; marcar V/F com justificativa oral; selecionar 2 trechos do texto e explicar com ajuda do professor/mediador).
 
Realizar avaliação oral individual ou em dupla (prova oral) para verificar compreensão, podendo substituir parte da expressão escrita pela oralidade; permitir leitura oral mediada de trechos do texto para favorecer interpretação.
 
MATERIAL:
O eurocentrismo na história
1. Os importantes marcos do início do eurocentrismo são a colonização, a construção das Américas e o capitalismo moderno. A partir desses processos, países da Europa impuseram ao resto do mundo a sua cultura, a sua economia e o seu poder militar. Com isso, a própria História passa a ser contada a partir de uma visão eurocêntrica. Por exemplo, é comum ouvirmos que europeus “descobriram” o continente americano. Inclusive, o nome “América” advém de Américo Vespúcio, um explorador italiano que supostamente teria chegado primeiro ao continente. Entretanto, o continente não foi descoberto pelos europeus – ele já era habitado por uma diversidade de sociedades. Certamente, a descoberta foi uma novidade somente para os próprios europeus que, na verdade, invadiram e impuseram seu poder às populações locais. Mais tarde, emergiam também na Europa as ideologias racistas. A partir do racismo, líderes e intelectuais europeus classificaram o mundo conforme sua própria medida (ou seja, eurocêntrica): a espécie humana seria dividida entre brancos, negros, vermelhos e amarelos. Nessa formulação racista, os brancos seriam a raça superior, enquanto as demais seriam de algum modo consideradas inferiores. A essa altura, é possível notar como foram vários os processos necessários para que uma visão eurocêntrica se impusesse no mundo todo.
Eurocentrismo no Brasil
2. Mesmo após a colonização, o Brasil esteve mergulhado em concepções eurocêntricas. A própria ideia de “nação” foi em grande parte trazida da Europa. Nossa bandeira nacional, por exemplo, contém o escrito “Ordem e Progresso”, que tem como inspiração o positivismo europeu. Em uma obra clássica do escritor Lima Barreto, Triste Fim de Policarpo Quaresma, é narrada a história que mostra as contradições de uma nação brasileira que quer se modernizar – no modelo europeu –, mas ignora os seus diversos problemas sociais e suas origens.
Eurocentrismo e a África
3. A África é um vasto continente que abriga diversas etnias e sociedades. O Brasil, que é o país que possui o maior número de pessoas negras fora do continente africano, foi formado com a contribuição dessas culturas. Entretanto, basta conferir os conteúdos escolares no Brasil: a história que aprendemos é majoritariamente europeia, e pouco africana. Essa conformação do currículo mostra como o centro de poder continua sendo a Europa, que se torna conhecida todos os anos. Por essa razão, surgiram legislações como a Lei 10.639/2003, que buscam corrigir esse problema nas escolas. Nessa lei, torna-se obrigatório o ensino de história e cultura afro-brasileira e africana nas instituições escolares.
Eurocentrismo e a filosofia
4. Assim como outras disciplinas, a filosofia que conhecemos está bastante centrada em reflexões feitas por filósofos ocidentais. Certamente, isso não invalida ou diminui qualquer pensamento desenvolvido por esses autores. Todavia, podemos ampliar nossa percepção. Por exemplo, a narrativa tradicional da história ocidental é que a filosofia teria surgido na Grécia, no séc. VI a.C. Contudo, há registros atuais que mostram que um pensamento filosófico também existia em outros lugares, como no continente africano.
Eurocentrismo e etnocentrismo
5. O etnocentrismo é uma atitude de considerar sua própria cultura como superior ou melhor, inferiorizando as demais. Ou seja, é ter no seu centro de referência apenas a sua cultura. Decerto, essa é uma definição parecida com o eurocentrismo: a postura de ter os valores europeus, principalmente aqueles ligados à história da colonização e do racismo, como o seu centro de referência e verdade. Portanto, é possível dizer que o eurocentrismo é um etnocentrismo. Entretanto, ele não é qualquer atitude etnocêntrica: o olhar eurocêntrico foi responsável por diversas violências e está relacionado com muitas desigualdades sociais.
O eurocentrismo nos mapas
6. Embora um pouco achatada e com irregularidades, o planeta Terra tem um formato esférico. Isso quer dizer que não há uma referência absoluta de “embaixo” ou “em cima” que pudesse ser aplicada em qualquer mapa mundial. Sendo assim, o modelo clássico de mapa-múndi que conhecemos é arbitrário. Em outras palavras, ele pode ser de outra forma – desenhado de “ponta-cabeça”, por exemplo. Entretanto, o mapa que se popularizou globalmente é aquele que possui a Europa em seu centro. De fato, os mapas considerados “oficiais” e que foram adotados no mundo todo foram aqueles produzidos na Europa, colocando esse continente como o centro do globo. Apesar de existirem outros modelos, é esse que se mantêm sem questionamentos.

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